21 de set. de 2012

CRÔNICA: O abismo


Por: Carol Fortunato

Toda vez que ouço ou leio sobre o cenário econômico do país, me perco nos termos e siglas e me pego imaginando um mundo todo particular.

Para mim, debentures, commodities e securities são cardumes de três variedades distintas de peixes que habitam a profundidade do Oceano Pacífico e fazem parte do ecossistema econômico da região.

As commodities nadam mais próximas à estagflação do nicho de mercado, enquanto as securities ficam entre a margem bruta e a Curva de Lafer e as debentures preferem a depreciação da Curva de Philips.

E toda a paz e o equilíbrio desse sistema viu seu fim quando os especuladores americanos descobriram o abismo econômico em 1929. Eles exploraram tanto esse paraíso fiscal que quase extinguiram uma espécie de alga local, a ad valorem. Só não conseguiram porque o Grupo Ambientalista Maynard Marshall Akerlof, associado ao Greenshoe, deram um fim para esse oligopsônio. Depois disso, os americanos ficaram sem visitar o abismo por algumas décadas. Estavam muito mais interessados em sair do planeta e muito mais ocupados em guerras quentes e frias.

Mas em 2007, novos exploradores, liderados por Fannie Mae e Freddie Mac, foram levados pelo submarino subprime mortgage até o abismo. Os especuladores e os hipotecários que desembarcaram da bolha levaram seus derivativos negociáveis e se instalaram nas águas estagnadas do abismo.

Abrindo concorrência com os americanos, logo os europeus também começaram a explorar o buraco sem fim. Em pouco tempo, espanhóis e gregos já estavam bem à frente dos americanos na exploração das águas profundas e estagnadas do abismo econômico, penetravam o fundo do oceano (porque fundo do poço é fichinha) com épsilon e tudo. Tanto desbravamento diminuiu o rating lá na zona do euro e criou uma maré de austeridade.

A maré tempestuosa tomou seu caminho para a Ásia deixando alguns tigres mirrados. E os emergentes latinos, muito protecionistas e traumatizados com suas memórias de outros mares profundos do passado, mal saíram da warrant para molhar os pés.

E isso foi o que eu consegui conectar mentalmente quando me explicaram como funciona a economia e o que propiciou a atual crise econômica.

Atuação dos TREs é indispensável para sucesso da lei Ficha Limpa

Candidatos ficha suja barrados nas urnas.
Foto: Banco de Imagens

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) são os principais responsáveis para que a lei da Ficha Limpa tenha sucesso. Com a nova lei em vigor muitos candidatos, considerados “fichas sujas”, já deixaram de concorrer nas eleições. Contudo, o trabalho de “limpeza” ainda está no início. Atualmente, a nova questão levantada é a melhora da qualidade dos partidos. A sociedade cobra transparência para que os cidadãos possam conhecer quem financia as campanhas para assim poder avaliar melhor seu voto.



Fontes: Agência Brasil, Terra e Uol

Escolha do tatu-bola como mascote da copa pode salvá-lo da extinção

ONG pretende preservar tatu-bola por meio da Copa do Mundo.
Foto: Banco de Imagens

Essa semana, a Fifa escolheu como mascote da copa de 2014 o tatu-bola. A sugestão do animal para simbolizar o evento foi da ONG cearense Associação Caatinga, que pretende preservar a espécie já extinta em outros países. O tatu, com características totalmente brasileiras, disputava a vaga com a onça pintada, a arara, o jacaré e o Saci-pererê. A escolha do animal será um trampolim para a ONG financiar a reprodução da espécie.




Fontes: Folha de S.Paulo, Diário do Nordeste e O Globo

CRÔNICA: O futebol pelo buraco da fechadura


Por Mauricio Pizani

Apita o juiz. É fim de jogo! Mais uma rodada do campeonato nacional termina. A imprensa começa a fazer o seu trabalho, especulando o porquê dos resultados, a péssima atuação de alguns jogadores, contratações, troca de técnicos e outros assuntos corriqueiros a esfera esportiva. 

Vendo tudo diante do meu televisor, de repente, toca o telefone. -Alô, quem fala?

Diretamente do além, do lugar onde os gregos intitulavam de Campos Elíseos (céu para os católicos). Uma voz responde.

- Sou eu, Nelson Rodrigues. Quero lhe dizer algo.

-Olá Nelson, diga-me.

Já faz algum tempo que venho analisando o cenário futebolístico da pátria de chuteiras (Brasil), percebi que os kamikases (os ventos sagrados) não sopram mais a nosso favor. Um exemplo disso é a entre safra de times e jogadores bons que estamos vivenciando. Não estamos formando uma seleção para ganhar a Copa que será realizada em solo tupiniquim. Nossas estrelas já não têm o brilho de outrora.Fico espantado também com esses jogadores ‘cai-cai’ que simulam faltas e dores inexistentes, como de praxe, eles brigam e discutem o jogo inteiro e depois se cumprimentam como duas ‘donzelas adestradas’, como se nada tivesse acontecido durante a partida. Essa falta de caráter faz mal ao futebol.O alto escalão, o grupo gestor do nosso futebol (CBF – Confederação Brasileira de Futebol) é tão sujo e corrupto quanto Richard Nixon e o caso “Watergate”, pois vendem os amistosos da seleção canarinho como se fosse um produto que é vendido em botequim. Só jogamos para platéias estrangeiras. É lamentável uma seleção nacional não jogar em casa, diante do seu público. Aqui onde estou é normal ver um elefante branco passando de vez em quando, pois no céu tudo é possível. Agora, esses elefantes brancos que estão sendo implantados no centro-oeste e norte do Brasil (estádio de Brasília e Manaus para a Copa) são absurdos. Na capital federal não há time de futebol para encher as arquibancadas daquela arena colossal. Muito menos Manaus que não tem representatividade alguma para o futebol nacional.

Como diz a música de Chico Buarque - ‘Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações’ – assim agem os

boçais em nome dessa mentira chamada Copa do Mundo. Mas tudo isso, a sociedade esquece no primeiro balançar das redes da rodada seguinte. O time ganha, o atacante do seu time faz o gol da vitória, o técnico é mantido cargo, a torcida sai eufórica do estádio e a imprensa dá as mesmas notícias. Sobretudo, as falcatruas esportivas permanecem iguais. Caro Pizani, o futebol depois que se tornou um negócio, com apelo de massa, perdeu totalmente a magia e a essência.

- Concordo Nelson.

20 de set. de 2012

Por meio de blogs, concurso incentiva hábito da leitura


Incentivo da leitura através da internet.
Foto: Banco de Imagens

Durante uma reunião preparatória do Congresso das Línguas na Educação e Cultura, em Salamanca, na Espanha, foi apresentado um projeto com o objetivo de incentivar a leitura por meio da internet. A ideia foi proposta pela OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura). Os participantes criaram blogs e compartilharam as obras lidas. De março a agosto de 2012 houve mais de 800 inscrições de jovens de mais de 16 países. 




Fontes: Uol, Agência Brasil e Estadão

Preço da cesta básica aumenta em 15 capitais brasileiras


Feijão, um dos alimentos que influenciou no aumento do preço da cesta básica.
Foto: Banco de Imagens
De acordo com a pesquisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o preço da cesta básica aumentou em 15 das 17 capitais avaliadas. O óleo, feijão, leite, pão, tomate e a soja são os principais alimentos que influenciaram na elevação dos preços. A cidade de São Paulo tem o maior valor de cesta básica do país. O custo para alimentação está em média R$277,27. A cesta mais barata é de Aracaju com o valor de R$192,52.



Fontes: G1, Terra e Bol

CRÔNICA: Carnaval de primavera


Por Maris Landim 

Como não era de costume sai de casa atrasada, corri até o ponto de ônibus e peguei o primeiro que surgiu pela avenida. Murmúrios e buchichos agitavam o caminho até a estação, ouvia nas entrelinhas e observava os olhares cruzados. Pela janela, placas, cartazes e fotos abarrotavam a avenida. Alguns semblantes não eram estranhos, figurinhas repetidas, outras novas para o álbum.

A cada parada um rosto estampado no terreno abandonado, em cada esquina um cartaz com a melhor foto que pudera tirar a cada quarteirão um carro de som cruzava a avenida. Tantas fotos, quantos papéis, quantas pessoas. De onde vieram? O que fazem?

As crianças colecionavam os papéis, juntavam pilhas e pilhas e depois brincavam como entregadores de panfletos, os adultos mal olhavam, jogavam o que recebiam no chão e continuavam sua caminhada se queixando do atraso. Já os adolescentes revolucionários, reclamavam da sujeira e com fones de ouvido fingiam estar aleatórios à correria. E o gari sempre ali, varrendo, juntando e recolhendo tudo. Enchia sacos e sacos de lixo para depois os distribuir pela avenida.

Durante o trajeto me atentei à programação da televisão que ficava no ônibus, um trecho da novela, os destaques do jornal, o horóscopo diário, até que interroperam a programação e uma tela azul com os seguintes dizeres: “Horário reservado para a propaganda eleitoral gratuita”. Bastou o anúncio aparecer para dispersar o interesse dos passageiros do ônibus.

Pois é, começaram as eleições municipais de 2012. Os roteiros todos já sabem, as músicas e as frases feitas muitos já decoraram, viraram “hits” do momento. E você, já sabe em quem votar? No país, conhecido pelo carnaval, a política não poderia ser diferente.

A apresentação começou e todos que ali estavam sentados, rumo a um dia frenético de trabalho, retomaram sua atenção à TV e ali permaneceram. Os primeiros colocados do último desfile já haviam se apresentado, em seguida a segunda alegoria, nela palhaços tomam a frente e fazem a alegria da arquibancada. Na passarela, mulheres-fruta brigam pelo título de rainha da bateria.

Como não poderia faltar, o que não é novidade, o carro alegórico de destaque intitulado “Aerotrem” causou euforia, muitos aplaudiram outros desacreditaram que ele conseguira entrar na avenida empurrado por ex-BBBs que mandavam beijos e novamente pediam votos emocionados.

Aqueles que passavam pela linha de chegada eram disputados pelos jornalistas que no horário do almoço já estariam com a matéria pronta para o jornal de amanhã. E assim foi até que todos se apresentaram. Quando me dei por conta, a programação havia terminado e voltaram a apresentar o horóscopo de Áries, olhei para alguns passageiros no ônibus que estavam dormindo e me perguntei, “– Será que eles enfim descobriram o que um vereador faz?”

19 de set. de 2012

30° edição da Bienal de SP tem custo 20% menor do que a anterior

Bienal, orçamento menor com mais qualidade
Foto: Banco de Imagens

Com o tema “A iminência das Poéticas”, Bienal de SP, teve o menor custo dos últimos tempos, um feito raro nas palavras do presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins. Segundo Martins a Bienal não encolheu, só houve um esforço de modernização por parte de seus organizadores. A edição deste ano conta com cerca de 110 expositores e mais de 3000 obras expostas em conjuntos. A amostra vai até nove de dezembro no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera com entrada gratuita.










Fontes: Correio Democrático e Último Segundo

As melhorias no PET são insuficientes, segundo frequentadores

O Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET) recebe melhorias na infra-estrutura, mas ainda tem pontos a melhorar
Por: Murillo Magaroti

Parque é indicado como opção de lazer para toda a família.
Foto: Juliana Costa

A Hipertexto esteve no PET para saber o grau de satisfação das pessoas com o parque.

Rafael Hernandez (28), frequentador há mais de 15 anos, lembra de quando o parque se chamava CERET e era preciso ser associado: “para se frequentar o clube era necessário ter a carteirinha, pois ele pertencia à associação de comerciários de São Paulo.” Para ele há descaso por parte dos órgãos públicos, “o número de frequentadores aumentou, eles deveriam meter a mão no bolso e ajudar”.
Arena de Rugby do PET recebe jogos do campeonato paulista.
Foto: Juliana Costa

Segundo a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação (SEME), o número de usuários saltou de 42.000 para 120.000/mês em média. A SEME não se pronunciou quanto aos valores investidos desde 2008, ano em que assumiu a administração do parque. Porém, pontuou uma série de mudanças ocorridas desde então, como a área do circo e dos quiosques para lazer; novo playground com 30 novos brinquedos; espaço para prática de Rugby e implantação de ambulatório médico e de 238 postes de iluminação ao redor do parque.

A iluminação também é um problema apontado pelos frequentadores. De acordo com Luigi Alves (19), o ginásio estava com iluminação precária: “nós fizemos vaquinha para trocar a fiação e ter um funcionamento de iluminação decente”.
Quadras de vôlei receberam nova pintura.
Foto: Juliana Costa.
Sobre isso, a SEME informou que os atletas que utilizam o ginásio para prática de vôlei assumiram um termo de doação em proldo reparo.

Os frequentadores entrevistados lamentam ainda o fato de a piscina do clube, considerada uma das maiores da América Latina, permanecer fechada boa parte do ano. A Secretaria de Esportes diz que “as piscinas ficam fechadas no período de março a setembro para manutenção e por questões da demanda de usuários”.


O PET fica na Rua Canuto de Abreu, s/n°, no bairro do Tatuapé. A entrada é franca.

CRÔNICA: Não vou me adaptar


Por: Tayane Garcia

Mundo louco, mundo rápido, mundo agitado. 

É engraçado como em poucos anos o mundo que eu conheci, romântico, tranquilo e, ao mesmo tempo, cheio de protestos políticos e lutas por direitos, pode ter mudado tanto.

Na minha época, era máquina de escrever, telefone com fio, TV grande (muito grande). Hoje tem celular que só de tocar na tela você consegue falar, tirar foto, filmar e até assistir TV (!). Como pode?

Tudo bem vai. Acho que estou ficando velho para conseguir acompanhar todas essas novidades.

Louco. Apesar de eu me surpreender com tudo isso, teve uma coisa que me chamou mais a atenção um dia desses aí, quando estava voltando pra casa de uma consulta.

Havia dois jovens garotos, mais ou menos com 13, 14 anos cada um. Eles estavam falando – como todo bom adolescente – de garotas.

“Véio, ela é muito gata. Acho que a mais bonita da escola. Pedi pra ela me add no face. Fica mas fácil pra nóis trocá ideia.”

Add? Face? Trocá ideia? Que diabos isso significa??? Mesmo sem entender nada continuei atento a cada nova palavra que ouvia.

“Mano, demorô. A mina é gata, cai pra cima.”

“Pô, véio. Lógico! A gente já começou a bolar uma ideia pelo face. Faz uma semana que estamos conversando. Vamô deixá rolá.”

Ok, ok. Não imagino o que significa metade dessas palavras que os jovens disseram, mas consegui captar a mensagem. Este assunto é sempre comentado, em qualquer idade.

Sinceramente eu pensava que essa geração da internet conversava menos, e que eles ficavam mais isolados em casa, com suas máquinas fantásticas, comendo salgadinho e tomando Coca-Cola.

Mas acho que não é bem isso, não. Esta conversa que ouvi, meio que sem querer, me fez perceber que os jovens de hoje conversam mais, porém, com menos contato. Imagino que eles devam falar com umas 200 pessoas ao mesmo tempo, por meio de computador, celular, e outras coisas que nem imagino que existam.

Imagino também que eles devam ficar confinados em suas casas, com suas parafernálias tecnológicas, engordando e marcando encontros – ou como eles dizem, um rolê – para a noite. E vai dizer que eles não gastam as calorias do salgadinho, hein?

O romantismo pode ter se perdido sim, em meio a tanta tecnologia. Mas a comunicação aumentou (e muito).

Agora, se nada disso existia antigamente, como fazíamos para viver etapas tão especiais em nossa vida, como namorar?

Acho que é hora de me adaptar.

 
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