27 de ago. de 2011

Entrevista: Clemente, vocalista das bandas Inocentes e Plebe Rude

Por Carolina Campos, José Roberto Pessoto e Roberta Chamorro


Clemente Tadeu Nascimento nasceu em São Paulo há 48 anos. É músico, produtor, apresentador e DJ. É mais conhecido como Clemente, vocalista e guitarrista, um dos principais membros do movimento punk brasileiro. Tocou em bandas como Restos de Nada, Condutores de Cadáver, Inocentes e Plebe Rude, nas duas últimas bandas toca até hoje. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a cena daqueles tempos e comparou com a atual. Disse que vida louca, de fato, só existe nos dias atuais, com os filhos e muito trabalho.




"Hoje o punk tem seus próprios tabus e a garotada tem medo de quebrá-los. Alguma coisa está errada", diz Clemente
Imagem André Nascimento


Agência Hipertexto: De onde vinha inspiração para as músicas?

Clemente: Vinha de um monte de referências, minha vida, livros, filmes e a insatisfação com a situação do país na época.


Agência Hipertexto: Se fosse hoje, de onde viria a inspiração?

Clemente: Dos mesmos lugares, continuo lendo, vivendo e o país ainda não mudou muito.

Agência Hipertexto: Como era a cena punk em São Paulo?

Clemente: Era legal, ela existia, havia várias bandas bacanas e tudo era novidade, tínhamos contato com bandas do mundo todo, coisa que é muito mais fácil hoje. Era tudo mais difícil, mas, mais prazeroso.

Agência Hipertexto: Em comparação, o que você acha da cena atual?

Clemente: Acho que a cena atual fica querendo usar modelos da minha época e o mundo mudou muito. Tem algumas bandas legais, mas tudo é muito confuso. Punk não é política, é político, é arte de confronto. O punk nasceu para quebrar tabus. Hoje o punk tem seus próprios tabus e a garotada tem medo de quebrá-los. Alguma coisa está errada.

Agência Hipertexto:: Você acha que o movimento punk mudou alguma coisa na sociedade? Politicamente ele teve força a ponto de transformar algo?

Clemente: (Até você acha que punk é política? risos). Mudou a música, o comportamento, a moda, a cultura pop, ele foi o divisor de águas. Só para citar um exemplo, esse modelo de festivais independentes, gravadoras e a cena independente, foi o punk que começou e hoje só se fala nisso. O Punk não tem força política para mudar o país, a função do punk é fazer as pessoas pensarem e são as pessoas que mudam o país. 

Agência Hipertexto: Quando foi que você sacou que Os Inocentes tinham deixado de ser mais uma banda de garagem e estavam entrando para, digamos, a fama?

Clemente: Quando os shows começaram a encher. Quando assinamos com a Warner, quando as pessoas te procuram para dar entrevistas. Isso tudo foi no começo da década de 1980.

Agência Hipertexto: E qual é a sensação?

Clemente: É ótima, é a comprovação do seu valor 

Agência Hipertexto: Já rolou conflito entre ser punk e ter ego (após a fama)?

Clemente: Parece que o punk é um ser diferente, né? Todo mundo tem ego, o Ramones é uma banda "legal", porque é famosa. Não vejo pessoas nas ruas com camisetas do Wire, que é uma banda muito boa, só que ninguém conhece. A "fama" vem como reconhecimento do seu trabalho. Não sou conhecido como a Ivete Sangalo, pois o foco do meu trabalho é outro, sou conhecido dentro de um determinado meio. 

Agência Hipertexto: A vida louca acabou com a chegada da idade, dos filhos ou você simplesmente se cansou?

Clemente: (Que vida louca? risos) Minha primeira filha nasceu e eu tinha 24 anos de idade e estava em plena década de 1980, lançando nosso segundo disco pela Warner. Mas, não entendi o porquê da vida louca. Ter filhos quer dizer ter que trabalhar mais. Se antes eu só tocava nos Inocentes, hoje toco também na Plebe Rude, Jack & Fancy e Combat Rock. Sou DJ, produtor, apresentador e diretor artístico do showlivre.uol.com.br. Por exemplo, semana passada, na sexta-feira trabalhei o dia todo no Showlivre, à noite discotequei no Sonique, no sábado fui curador de um projeto de música no SESC Osasco e à noite fui DJ no Authobahn. Na segunda, Showlivre e DJ no Unique. Minha vida está uma loucura agora! (risos). Estou lançando o DVD da Plebe Rude, gravando disco novo do Inocentes e do Jack & Fancy.

Agência Hipertexto: Planos futuros?

Clemente: Continuar vivo e trabalhando...

Agência Hipertexto: Recado para os fãs?

Clemente: Estamos na ativa. 


Warner reedita 3 discos da banda Inocentes em comemoração aos seus 30 anos:


            Pânico SP (1986) Adeus Carne (1987) e Inocentes (1989)




Há também o documentário Inocentes - 30 anos, de Carol Thomé e Duca Mendes, que estará na Mostra de Cinema Mundial, Belo Horizonte, confira no link abaixo:


indiefestival.com.br















2 comentários:

Fernando disse...

Muito boa a entrevista.
Parabéns galera do Hipertexto!

Agência Hipertexto disse...

Obrigado, Fernando.
Volte sempre!

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