Por Roberta Chamorro
Bruno Favoretto tem 29 anos e, apesar de ser cadeirante, leva uma vida normal como qualquer jovem da sua idade: trabalha, dirige, viaja, passeia com sua esposa. Em entrevista à Agência Hipertexto, ele fala sobre o descaso das autoridades e a falta de sensibilidade existente na população.
Agência Hipertexto: Você já nasceu com dificuldades de locomoção?
Bruno Favoretto: Não, eu era um menino cheio de saúde. Com 17 anos e 4 meses, estava andando na porta de um metrô, aí veio um policial, mandou todo mundo encostar na parede e, pasme, disparou "acidentalmente" a metralhadora. Já faz mais
de 11 anos e até hoje não recebi nada do governo.
Agência Hipertexto: Já foi vitima de preconceitos por ser cadeirante?
Bruno Favoretto: Sim, motoristas de ônibus, entrevistas de emprego, supermercados, professores. Vagas de deficientes, então, nem comento.
Agência Hipertexto: Participa de alguma ONG?
Bruno Favoretto: Não, embora conheça bem o movimento superação
Agência Hipertexto: Você se considera uma pessoa independente?
Bruno Favoretto: Sim, sou independente. Fiz faculdade em Belo Horizonte (FUMEC - Fundação Mineira de Educação e Cultura), sempre morei sozinho e casei há um ano. Trabalho na Editora Abril há 5 anos
Agência Hipertexto: Pratica algum tipo de esporte?
Bruno Favoretto: Sempre pratiquei esportes. Após o acidente, eu me dediquei à bicicleta
Agência Hipertexto: O que você acha dos transportes públicos da cidade de São Paulo? Já teve problema com algum?
Bruno Favoretto: Os piores do mundo que pude presenciar. Pouquíssima adaptação. Aliás, nem transporte tem direito, quanto mais adaptação.
Agência Hipertexto: O que poderia ser feito para que o acesso dos cadeirantes fosse o ideal?
Bruno Favoretto: Piso asfaltado, rampas nas calçadas, transporte digno. É só mandar o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Kassab passear em Milão, Amsterdã, enfim, na Europa, e ver como se faz. Gastar eles sabem, mas não há retorno. As autoridades que fazem as leis têm total falta de sensibilidade em relação aos portadores de necessidades especiais, só aparecem nos horários eleitorais a cada dois anos fazendo promessas e não cumprem.
Agência Hipertexto: Após sofrer o acidente, seus amigos se afastaram de você?
Bruno Favoretto: A maioria, mas as que eu fiz depois considero bem melhores
Agência Hipertexto: Como é lidar com a deficiência?
Bruno Favoretto: Acho que faço parte de uma minoria. Todo dia tento passar uma imagem legal pra todos para que o deficiente seja mais respeitado.
Agência Hipertexto: Como é o comportamento das pessoas quando você sente necessidade de ser ajudado?
Bruno Favoretto: Algumas fazem pouco caso, outras são muito legais, outras não sabem como agir, não têm a menor noção de como tratar um deficiente.
Agência Hipertexto: eu mensagem você gostaria de deixar para a população?
Bruno Favoretto: Respeite as vagas e banheiros de deficiente: elas só existem porque a necessidade é extremamente grande.